20101222

resumo da matéria discográfica (capítulo dois mil e dez)


Poderão não ser os melhores. Pois sei lá o que isso é. Mas foram estes os principais companheiros de viagem que levarei comigo por mais anos. Poderia haver mais, que os há, mas para o caso em questão estes bastam.

1. The Drums - The Drums
2. Gonjasufi - A Sufi And A Killer
3. Sun City Girls - Funeral Mariachi
4. Harlem - Hippies
5. Blackbird Blackbird - Summer Heart
6. Best Coast - Crazy For You
7. Rraaiillss - 1098
8. Glass Vaults - Glass EP
9. Sea Oleena - Sea Oleena EP
10. Beach Fossils - Beach Fossils

20101221

resumo da matéria circense (capítulo dois mil e dez)

Photo by Susana Pomba

1. The Drums, Lux
2. Pavement, Primavera Sound
3. Little Claw, Associação de Acção de Reformados do Barreiro
4. Pop Dell'Arte, Musicbox
5. Heavy Trash, Lux
6. Harlem, Primavera Sound
7. Os Golpes, Convento das Bernardas
8. Greg Dulli, Santiago Alquimista
9. Linda Martini, Super Bock em Stock
10. Sonic Youth, Coliseu dos Recreios

20101219

resumo da matéria cinematográfica (capítulo dois mil e dez)

Quando aquele que foi para mim o melhor e mais entusiasmante filme visionado ao longo de um ano teve na realidade estreia no último dia do ano anterior, há aí um simbolismo que deve querer significar qualquer coisa.

1. Un Prophète – Um Profeta, de Jacques Audiard

2. La Teta Asustada – A Teta Assustada, de Claudia Llosa

3. Lebanon – Líbano, de Samuel Maoz

4. Les Herbes Folles – As Ervas Daninhas, de Alain Resnais

5. Tony Manero, de Pablo Larrain

6. El Secreto De Sus Ojos - O Segredo Dos Seus Olhos, de Juan José Campanella

7. A Serious Man – Um Homem Sério, de Ethan e Joel Coen

8. Katalin Varga, de Peter Strickland

9. Copie Conforme – Cópia Certificada, de Abbas Kiarostami

10. Celda 211 - Cela 211, de Daniel Monzón

20101216

katalin varga - peter strickland

Num ano cinematograficamente tão fraco, o melhor estava afinal guardado para o fim. Um murro no estômago que te impedirá de sentires seja o que for nas horas seguintes. Conhecer Katalin Varga só depende de ti, esquece-la já não.

20101215

mistérios de lisboa - raoul ruiz

Um filme que se leva demasiado a sério. A cada hora que passa ali se fica a aguardar que, a qualquer instante, um evento arrebatador nos arraste dali para bem longe. Mas as horas vão passando sem que nada de tão grandioso assim aconteça. Promessas, promessas...

ponto de situação

Aias, Animal Collective, Ariel Pink's Haunted Graffiti, Belle & Sebastian, Blank Dogs, Broadcast, Cloud Nothings, Comet Gain, Dan Melchior und Das Menace, Das Racist, Emeralds, The Fiery Furnaces, The Flaming Lips, Fleet Foxes, The Fresh & Onlys, Games, Gang Gang Dance, Half Japanese, Mercury Rev perform Deserter's Songs, Mogwai, The National, Papas Fritas, Pulp, Sonny & The Sunsets, Suicide, Swans, Triángulo De Amor Bizarro, Twin Shadow, The Walkmen

20101211

the go! team - rolling blackouts


Também tu ansiavas por este dia? Pois eis que finalmente chegou!

até maio já não me mato

20101210

the soft moon - the soft moon


Se também tu chegas às sextas a gritar que amanhã será inevitavelmente domingo, convém não esqueceres que as ressacas não têm cura. Podem apenas ser encurtadas ou, com maior esforço, evitadas. A escolha, essa, será sempre tua. Mas, voltando ao assunto que me trouxe aqui, há também quem diga que ouvir estes senhores is like swimming in an abyss accompanied by perverted robotic whales from outer-space, peer pressuring you to take hallucenogenics.
E agora imagina se os Interpol fossem uma banda realmente cool e tivessem ouvido, para além dos Joy Division e The Cure da fase cinza, os Suicide. Imagina...

20101205

air waves - dungeon dots


E que mal virá ao mundo se todos os dias encontrares uma nova paixão? Não tenhas medo, o coração arranja sempre espaço para mais e a memória não merece a preguiça que lhe dás. Confia em mim... experimenta sem receios.

celda 211 - daniel monzón


Os americanos já fizeram este filme milhentas vezes. E até os franceses, bem recentemente, o fizeram de forma magistral. Mas raras vezes nos fizeram sentir assim. Prisioneiros em perigo de vida. Angustiados e sem direito a redenção. Sozinhos numa sala de cinema. Numa cadeira insuficiente para nossa protecção.

20101203

20101128

a place in the sun


Every time you leave me for a minute, it's like goodbye.
I like to believe it means you can't live without me.

a place in the sun


I love you.
I've loved you since the first moment I saw you.
I guess maybe I've even loved you before I saw you.

recibos verdes


oberhofer: melhor banda de 2011

the shield


Imaginem um poço bastante largo mas de pouca profundidade. Agora imaginem esse poço cheio de serpentes. Centenas e centenas de serpentes de várias cores e tamanhos. De seguida, peçam à vossa imaginação que vos ofereça a imagem desse mesmo poço a ficar cada vez mais estreito e profundo. Enquanto isso, as serpentes vão-se matando entre si. No final, restará um poço bastante profundo e extremamente estreito, onde já só restam meia dúzia de serpentes vivas enterradas sobre centenas ou milhares de serpentes mortas. Eis The Shield! A série televisiva com o melhor anti-herói de todos os tempos. Ladies and gentlemen please meet Vic Mackey.

reservoir snakes

20101127

introducing: oberhofer


INTRODUCING #028
Oberhofer - Away Frm U

20101126

the national


É estranha e talvez singular a minha relação com a música dos The National. Tudo começou com uma indiferença sem grande justificação. Às dicas de vários amigos fui avançando nos dias sem lhes ligar nenhuma. Uma música aqui, outra ali, mas sem entusiasmo que justificasse maior atenção. Ao longo de quatro anos (para aí entre 2003 e 2007) foi essa a minha relação com os senhores. Ou seja, praticamente nenhuma. Mas eis que, chegados a 2007, sai o apaixonante e desarmante Boxer. E aí... a minha rendição. Total. Daquelas que nos deixam sem saber o que fazer com o que agora temos em mãos, de coração ferido, e que culminou numa daquelas noites que se guardam por perto durante uma vida ou mais, numa Aula Magna rendida e hipnotizada. Tudo indicava um amor para toda a vida. Mas tal não aconteceu. E, poucos meses mais tarde, ao passar por eles num palco solarengo, já a antiga indiferença de novo me contaminava. Foi como reencontrar uma antiga paixão. Nem um palpitar. Talvez uma ligeira memória. Morna e apagada.
Entretanto, os anos passam e é anunciado novo disco. Entretanto, os meses passam e nada mais para além de uma audição desatenta. Por entre tantos elogios regresso ao início, ao princípio de tudo, onde nada encontro nas audições esparsas que me entusiasme o suficiente para retomar os arrepios vividos na anterior, tão intensa quanto curta, paixão. Entretanto, tudo isto, até hoje. Mas hoje, como um soco... de novo rendido. E agora?!

love's the answer? so blame it!


tu, que tanta esperança depositas no amor
culpa-o aquando da minha ausência

copie conforme - abbas kiarostami

Afinal, um Kiarostami não tão diferente assim do original.

20101123

get outta what do ya do


passas os dias
a sonhar
com as noites que te impedes
a ti mesmo
de viver

20101122

introducing: io echo


INTRODUCING #027
Io Echo - When The Lilies Die

20101120

le roi de l'evasion - alain guiraudie


Masturbações nocturnas conjuntas. Uma jovem franzina de 16 anos que se apaixona por um avantajado homossexual de 43. Viagra natural arrancado da terra. Uma verga de meio-braço num homem demasiado velho para alguém. Ou talvez não. Sonhos que acabam por se revelar menos estranhos que a realidade de onde irrompem. Cuecas e sapatilhas em fuga num corpo de barriga enorme. Tudo isto e muito mais num filme único que, como todos os filmes únicos, não é melhor nem pior que os outros, é apenas diferente.
E lá pelo meio a jovem Hafsia Herzi que já tinhamos visto em O Segredo De Um Cuzcus. O enamoramento continua...

cem anos é muito ano, e no entanto...

1828 - 1910

20101117

pit er pat - the flexible entertainer


Celebremos! As cidades que se transformam novamente em selvas. E todos os homens que ainda resistem, não deixando de ser o que sempre foram... animais. [dançando freneticamente em câmara lenta] Foge da sombra que te apaga e aproxima-te da luz do candeeiro que te fique mais próximo. Qual lua cheia em noites de lobos uivantes na montanha em frente. Celebremos então! Os homens que ainda são e as cidades que voltam finalmente ao que sempre foram. [não olhes em volta procurando por quem não veio] E no final, antes de regressares, larga a pedra que trazias na mão e que entretanto esqueceste de usar.

para tardes futuras

20101116

para manhãs futuras

20101115

capítulo quarto das cenas de um casulo suburbano semi-iluminado com elevador avariado

Hoje, no café do costume, passavam cinco minutos das dez horas em que já é noite, quando a senhora afirmou bem alto e de forma clara, para quem a quisesse ouvir: "Eu não quero fazer amor!". Depois, chorou.

coming soon

20101113

thank you, goodnight!

vasco pereira @ festivaispt

are you comfortable?

statement

20101112

sim, foi memorável

20101111

caged animals - caged animals

Um disco a inserir na categoria "discos que não mudam a história do mundo, mas que podem salvar uma tarde cinzenta". E depois viveram felizes para sempre. Mas isso é outra história. Que nunca aconteceu.

20101109

young mr. lincoln - john ford


rock para gente sentada

O público acordou tarde mas ainda a tempo para o concerto de uma banda a preto e branco, tão enérgica quanto limitada. Mas, duas horas mais tarde, dois encores e ouvidos a zumbir, a memória que fica é positiva. Amanhã, no mais adequado palco do Hard Club, será certamente melhor. Mesmo que um dos membros dos Black Rebel não saia de palco em lágrimas como aconteceu hoje.

20101106

conselho útil

Quando terminar um concerto, o melhor é aguardares meia-hora e ver o que acontece [ontem, por exemplo, o que aconteceu foi uma jam session surpresa de uma hora com guitarristas de Sun Araw e bateria que ia mudando de mãos... e até Scout Niblett se juntou à festa. E que bela versão do Range Life, dos Pavement, por lá se tocou. E que pena eu tenho de não ter gravado tal versão.]



[as minhas desculpas pela má qualidade sonora do vídeo]

rraaiillss - 1098

Sim, já toda a música nos parece igual. E agora acrescentem à lista de afilhados dos Jesus and Mary Chain estes Rraaiillss, o projecto do californiano Adam Anderson. Já ouvimos isto antes? Sim. Tantas e tantas vezes. Mas ainda existem cópias suficientemente entusiasmantes que merecem ser ouvidas. Como este 1098, a ouvir muitas e bastantes vezes, como se fosse a primeira.

20101105

música de 2010 em 1970



Em 1970 o Jim Morrison já sabia como seria a música em 2010. Eu arrisco agora dizer como será a música em 2040. Daqui a 30 anos (quem sabe mais cedo) a música será feita ao estilo Bimby. Uma pessoa coloca cinco ou seis músicas que goste num programa qualquer e... surge uma nova música. Os resultados dependem apenas da escolha de ingredientes feita por cada um.

20101104

les regrets - cédric kahn


Algumas regras que deves seguir no teu caminho para o arrependimento:

Primeira: adia o amor até que seja tarde demais;
Segunda: quando achares que já passou demasiado tempo, hesita;
Terceira: após hesitares, foge.

introducing: rraaiillss


INTRODUCING #026
Rraaiillss - When You Feel Like

20101103

capa do ano

Um dos discos mais aguardados para esta recta final de 2010, da dupla Tennis, tem uma das mais fantásticas capas do ano. Isso é já uma certeza. Só falta mesmo descobrir de que ano.

20101027

sun city girls - funeral mariachi


Os Sun City Girls já andam entre nós desde os inícios dos anos 80. Vai para 30 anos portanto. E nestes anos todos nunca me tinham passado pelos ouvidos. Poderia ser compreensível se fossem donos de diminuta discografia, mas não é, de todo, o caso. Tão vasta é essa mesma discografia que no seu site oficial, no espaço dedicado à mesma, são os próprios a dizer que "a complete discography is impossible to list".
Mas o que me traz aqui não é o passado desta banda do Arizona. Se bem que vários dos seus discos anteriores tenham já sido encomendados, culpa do disco lançado este ano que dá pelo nome de "Funeral Mariachi" e que é, ate ao momento, o mais forte concorrente a poder destronar o disco de Gonjasufi na categoria de Melhor Disco de 2010.

lolas

Continuo a preferir a Lola do Demy.

20101026

o freud que explique

Hoje, chegado ao cabeleireiro, escapou-se-me um estranho e inesperado pedido. Sem saber a sua proveniência, as palavras que me saíram indicaram um desejo bem diferente do objectivo que ali me tinha levado. Pedi para me cortarem a cabeça. Passei a meia-hora seguinte envergonhado mas não só. O medo que a minha vontade fosse atendida passou a ser coisa real.

vídeos caseiros [sessão dois]

20101025

doc lx (20)

LI KÉ TERRA, de Filipa Reis, João Miller Guerra e Nuno Baptista

Um filme cujo principal trunfo acaba por ser o excelente casting. Os dois jovens escolhidos quase parecem fazer o filme sozinhos. Trunfo dos realizadores pela feliz escolha e por terem permitido o espaço e tempo necessários a que os seus principais valores se revelassem. E isso, por vezes, não é coisa pouca.
Não é filme de grande fôlego e viu-se coisa melhor nos filmes portugueses em competição. Mas, ainda assim, não é chocante a decisão do júri. E qualquer nome destes três realizadores mostrou o suficiente para que de futuro se esteja atento à sua evolução.

doc lx (19)

COMO AS SERRAS CRESCEM, de Maria João Soares

A poesia recompensada, num filme com cinema dentro. Prémio bem entregue, para um projecto arriscado que poderia tão facilmente dar em nada.

20101023

doc lx (18)

LA TERRA HABITADA, de Anna Sanmartí

As regras do jogo deveriam ser as seguintes para pessoas sem nada para dizer:
1) remete-te ao silêncio;
2) se fizeres um filme não o mostres em público.
Sanmartí ainda cumpriu uma das regras. Pena não ter cumprido as duas.

* o júri do festival, por outro lado...

doc lx (17)

LE CHAGRIN ET LA PITIÉ, de Marcel Ophuls

Monumento com mais de quatro horas de duração, Ophuls permite que o tema por si abraçado tenha tempo de ser explicado e entendido nos mais ínfimos pormenores, com uma quantidade de pequenas peças de um puzzle que, no final, nos permitem ter uma ideia geral daquilo que foram os tempos de guerra e as formas como, numa altura dessas, pessoas normais se comportam perante o inimigo. Quatro horas que passam num ápice.*

* pelo menos para quem esteja interessado no tema, o que não parece ter acontecido com centena e meia de alunos de várias escolas que começaram a sessão e que a meio já deveriam estar a ver montras ali ao lado no Campo Pequeno. Desgraçados professores que ainda não desistiram.

doc lx (16)

THE WOMAN WITH THE 5 ELEPHANTS, de Vadim Jendreyko

Entre o crime e o castigo, a fascinante e enigmática Svetlana Geier revisita o seu passado. Tradutora de Dostoievski na Alemanha, Geier regressa à sua Ucrânia natal 60 anos depois de uma ausência que esconde muita da história europeia recente. Um filme que parte do particular para o geral de forma magistral.

doc lx (15)

LAST TRAIN HOME, de Lixin Fan

Centenas de milhões de pessoas a viajar num curto período de tempo. É assim na China todos os anos por altura do Ano Novo Chinês. Multidões assustadoras de trabalhadores das cidades que aproveitam para visitar a família no campo. Mas, por mais assustadores que sejam tais obstáculos, é o reencontro com família que parece por vezes ser o principal factor de ansiedade. Filhos que não reconhecem autoridade aos pais, culpando-os de tão prolongada ausência. Pais frustrados e revoltados de ver tanto trabalho tão pouco apreciado por quem os sacrifícios são feitos. Em Last Train Home, filme desequilibrado que parece por vezes feito por duas pessoas diferentes, o individual ganha à miríade de pessoas que uma multidão esconde na sua enormidade grotesca. E ainda bem...

20101021

doc lx (14)

PETROPOLIS, de Peter Mettler

Hipnotizante filme. Tão hipnotizante que bem poderia ter horas e horas de duração. Uma noite inteira. Com pouca informação oferecida ao espectador, e mesmo essa, inteligentemente distribuída, Mettler deixa que cada um faça a leitura daquilo que lhe é dado descobrir. Lentamente. E de cima, de onde os nossos problemas costumam parecer tão minúsculos, mas de onde os verdadeiros problemas ganham a sua real dimensão.

doc lx (13)

EL SICARIO, de Gianfranco Rosi

Um só personagem, por mais fascinante e torturoso que seja o passado de onde provêm todas as suas palavras, não basta para fazer um documentário. Mas ajuda, e muito, a torná-lo minimamente interessante.

20101020

doc lx (12)

A FALTA QUE ME FAZ, de Marília Rocha

Mais cedo ou mais tarde iria acontecer. Aconteceu hoje. Eis o primeiro filme desta edição em que saí a meio. Personagens sem interesse, filmadas através de um olhar perdido. Um enorme erro de casting talvez.

doc lx (11)

BIQUEFARRE, de Georges Rouquier

Só o cinema para me permitir viajar quase 40 anos em apenas 24 horas. E reencontrar aquelas pessoas, tantos anos depois, apenas um dia mais tarde, foi tão emocionante como reencontrar família e amigos que já não via há muitos e tantos anos.

20101019

a lembrar...

Estamos há 22 anos sem este senhor. A lembrar, ouvindo, hoje e sempre.

20101018

doc lx (10)

FARREBIQUE, de Georges Rouquier

Encantador e belo filme. Um ano de trabalho, muito trabalho, duma família a viver na e com a natureza tão perto. Os tempos e gestos que se repetem e adaptam numa lenta mudança. Porque, não sejamos tontos, a Primavera chega sempre. E anseio já pelo seguimento em Biquefarre, quase quarenta anos mais tarde.

doc lx (9)

LES SIGNES VITAUX, de Sophie Deraspe

Tanta ficção e tão pouco documentário, para um cinema assim-assim. Com alguns momentos mais bem conseguidos, quando a dor nos é transmitida sem necessitar cruzar barreiras incómodas. E outros de gosto mais duvidoso e necesidade quase nula. Um documentário contaminado pela ficção não se sabe bem porquê, ou para quê.

doc lx (8)

EROTIC MAN, de Jørgen Leth

Bem que deveria ter desconfiado dos elogios de Lars Von Trier a Jørgen Leth.

doc lx (7)

A FESTA DOS RAPAZES, de Pierre Primetens

Mágnifico filme! E certamente do melhor que se conseguirá ver nesta edição do Doc Lisboa, pois são raros filmes assim. Em menos de uma hora Primetens consegue não só retratar toda uma região, Trás-Os Montes, cada vez mais deserta, vazia, esquecida, mas também as implicações e rituais da entrada na idade adulta dos seus jovens. Cada vez menos. Quase nenhuns. E se os jovens e seus rituais milenares são o sangue que vai mantendo aquela região viva, há um quase desespero em manter viva essa região tão moribunda. Um desejo quase tão forte como o de manter a chama dos verdes anos sempre viva. É bom poder entrar na idade adulta, ser finalmente um homem, mas...
Tudo isto envolto num saudosismo de fim de festa, quando já se sabe que apenas podemos adiar por mais algum tempo o inevitável. Um saudosismo a algo que ainda nem sequer tem passado. O fim de uma região que ainda não acabou. Que teima em não acabar. Como um adulto que se diz sempre jovem, mesmo desconfiando que, ao longo dos anos, mudou muito. Talvez demasiado.

doc lx (6)

COMBOIO, de Isabel Dias Martins

O comboio deste documentário é o Sud-Express. O mítico comboio que liga Lisboa a Paris, atravessando Portugal e Espanha madrugada dentro. Mas este comboio, no documentário de Isabel Dias Martins, é também uma armadilha. Um engodo que acabará por servir para juntar num mesmo sítio personagens com sonhos e medos semelhantes. Nada mais que isso. Uma questão prática apenas.
O maior mérito do filme acaba por ser a sua capacidade em conseguir retirar dessas pessoas as suas histórias mais pessoais (fantásticas, por sinal). Pena que seja o único.

20101016

doc lx (5)

ANGST, de Graça Castanheira

Um documentário não necessita, obrigatoriamente, de responder às perguntas que coloca. Em especial quando essas mesmas perguntas não têm resposta possível. Mas Graça Castanheira, ainda assim, não desiste de colocar as questões que a afligem e que lhe despertam a curiosidade. No fundo, não desiste de tentar compreender essa questão tão básica quanto essencial: mas que raio fazemos nós aqui? E como o fazemos?
No seu filme mais pessoal até hoje, Graça Castanheira oferece-nos um conjunto de informações que nos podem, pelo menos, fazer pensar. E talvez sentir alguma coisa.

doc lx (4)

SPANISH EARTH, de Joris Ivens

Muito provavelmente (em especial no que à estrutura de um filme diz respeito) o documentário mais bem montado que já vi até hoje. Uma lição.

o senhor puntila e o seu criado matti



De Bertolt Brecht e encenação de João Lourenço, Senhor Puntila e Seu Criado Matti é divertimento garantido para todos aqueles que ainda acreditam que se pode ir ao teatro sem ser necessário passar as noites a pensar em formas de cortar os pulsos. Uma peça completa, liderada de forma brilhante por Miguel Guilherme, e muito bem acompanhado por um vasto leque de actores. O conselho fica dado. Façam com ele o que quiserem. Só acrescentar que peça tem música original e ao vivo de Mazgani.

doc lx (3)

LUZ TEIMOSA, de Luís Alves de Matos

"Luz Teimosa, de Luís Alves de Matos, é um olhar que se pretende surrealista sobre um artista que precisou de se ir embora para desabrochar: Fernando Lemos, pintor, fotógrafo e poeta português, contemporâneo de Alexandre O"Neill, António Pedro ou Vieira da Silva, emigrado no Brasil desde 1952. Plasticamente muito cuidado, usando como fio condutor uma belíssima fotografia tirada numa romaria pouco antes de Lemos emigrar, Luz Teimosa é um testemunho elegante sobre a arte e a vida, introdução lúdica ao universo do artista."
Jorge Mourinha, in Público

doc lx (2)

THE PLAYER, de John Appel

Algumas das histórias que John Appel vai relatando de seu pai, de tão rocambolescas, quase nos fazem duvidar da sua veracidade. Mas, no meio de tanta palavra partilhada, por ele e outros, para tentarem encontrar uma explicação que o ajude a entender o vício do seu pai ao jogo, acaba por ser nos (poucos) silêncios que o filme realmente se destaca. Aqueles olhares e gestos, falam bem mais que mil palavras. Um filme tão agradável quanto banal.

20101015

doc lx (1)

LA CITÉ DU PÉTROLE, de Marc Wolfensberger

Ainda que num registo perigosamente próximo daquele que estamos habituados a encontrar no pequeno ecrã, culpa das dificuldades encontradas pelo realizador para filmar local tão escondido dos olhares do mundo, La Cité Du Pétrole é, acima de tudo, uma oportunidade única para vermos uma memória viva de outros tempos.
Perdida no meio do Mar Cáspio, a seis horas da costa, uma cidade foi criada no meio do mar, com prédios de vários andares e centenas de quilómetros de pontes, abrigando milhares de trabalhadores. Trabalhadores esses que acabam por ser os heróis deste orgulho escondido. Um orgulho em decadência e com dias contados.
Cinematograficamente falando, o filme de Wolfensberger poderá não ser do mais estimulante que se conseguirá ver neste Doc Lisboa, mas, ainda assim, tem ingredientes mais que suficientes para se poder aconselhar o seu visionamento.

20101014


20101013

big brother chile

O último mineiro a sair ganha?

20101010

at home



at home he feels like a tourist
he fills his head with culture
he gives himself an ulcer

vídeos caseiros [sessão um]

20101009