
Dá pena ver um realizador como David Fincher perder tempo num projecto destes, que qualquer tarefeiro da Disney conseguiria fazer com resultados semelhantes. Baseando-se num conto de F. Scott Fitzgerald, o argumentista Eric Roth transforma a história absurda de um homem que nasce velho e morre criança, num melodrama sem pinga de fantasia, aproximando perigosamente este O Estranho Caso de Benjamin Button do seu grande sucesso Forrest Gump. Os pontos de contacto são imensos. Infelizmente, desta vez, Roth levou-se demasiado a sério. Narrativamente, no entanto, a principal semelhança talvez seja mesmo com Big Fish, de Tim Burton. A forma de contar a história é idêntica. Mas Burton entrava de cabeça num mundo de fantasia e sentia-se em casa brincando nesse universo. Ao contrário de Fincher, visivelmente peixe fora de àgua neste registo, o realizador de Eduardo Mãos-de-Tesoura transmitia facilmente ao espectador o prazer de contar uma história impossível e bigger than life.
Embora campeão nas nomeações deste ano para os Óscares, Benjamin Button não passa de um daqueles filmes que apenas se aconselham para tardes de domingo chuvosas ou em que a ressaca de saturday night não permita fazer outra coisa qualquer.
1,5/5