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20110515

indie doc

A ficção morreu. Viva a realidade!
O povo fartou-se de fantasias. Viva o real!
Não se querem festinhas na cabeça. Desejam-se murros no estômago. Ou em cheio no nariz.
Adeus carochinha. Olá caruncho!


INDIE LISBOA 2011

Prémio do Público
"Cleveland Contre Wall Street"
documentário
de Jean-Stéphane Bron

Grande Prémio de Longa Metragem
"The Ballad Of Genesis And Lady Jaye"
documentário
de Marie Losier

Prémio Melhor Longa Metragem Portuguesa
"Linha Vermelha"
documentário
de José Filipe e Costa

Prémio Melhor Curta Metragem Portuguesa
"Alvorada Vermelha"
documentário
de João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata

20110514

post mortem - pablo larrain


Tony Manero foi apenas diversão, vamos agora ao que interessa.
Pablo Larrain, clap clap clap.

ovsyanki - aleksei fedorchenko


Não estou habituado a que os russos me conquistem com falinhas mansas.

20110512

essential killing - jerzy skolimowski


No cinema apenas as cadeiras devem ser confortáveis.

20100430

indie lx (12)

C'EST DÉJÀ L'ÉTÉ, de Martijn Maria Smits

Filme oco e transparente (what you see is what you get), é tão interessante como olhar por hora e meia para um aquário vazio.

indie lx (11)

CRAZY, de Heddy Honigmann

Para quem considere as guerras como a maior aberração provocada pelos homens, ver este filme é como se Honigmann nos arrancasse aos poucos a pele para, de seguida, quando já em carne viva, nos fazer uma suave massagem pelo corpo todo. Um filme desarmante, arrepiante... e belo.

20100429

indie lx (10)

LES ARRIVANTS, de Claudine Bories e Patrice Chagnard

Bastaria uma das primeiras cenas deste documentário para percebermos que aquilo a que iríamos assistir nas duas horas seguintes era cinema e não televisão. A diferença entre documentário e reportagem que tantos ainda parecem ter dificuldade em entender.
Na sala de espera de um centro comunitário para pessoas em busca de asilo na França ouvem-se nomes de família a serem chamadas. Ouve-se o nome de uma família, depois de outra, e uma outra e outra. Enquanto isso, vários planos das várias famílias que esperam ouvir o seu nome. Nenhuma dessas famílias que vemos parece corresponder às famílias que ouvimos chamar pois nenhuma delas se levanta. Isto acontece aos primeiros minutos de Les Arrivants e logo aí sentimos a angústia de uma espera que parece jamais ter fim. O que se segue, só vendo. Filme magnífico.

20100427

indie lx (9)

PELAS SOMBRAS, de Catarina Mourão

Quando se tem pela frente uma artista como Lourdes Castro, o melhor que um realizador tem a fazer é escutar e ver com atenção. Algures entre o deslumbramento e a sedução. E foi isso que Catarina Mourão fez. Sem virtuosismos que pudessem estragar tão encantadora personagem e permitindo assim o fluir desse encantamento até ao espectador. Sem ruídos, barreiras ou labirintos desnecessários.

20100426

indie lx (8)

AU REVOIR, de Heddy Honigmann

Juntos, haveremos sempre de encontrar formas de nos magoar. Inventaremos barreiras para saltar. Desculpas para fugir. E tudo isto para encontrar o final perfeito. Sempre adiado. As verdadeiras paixões não necessitam palavras. Quando as palavras surgem, já a paixão terminou.

indie lx (7)

PUTTY HILL, de Matt Porterfield

O estilo decadent chic parece não querer sair de moda. E este Putty Hill é todo ele decadência e estilo. Pena que o filme seja tão vazio quanto a vida das personagens que retrata.

indie lx (6)

ORLY, de Angela Schanelec

Relações que começam, outras que acabam, ou que mudam, e algumas que nunca chegarão a sê-lo. Num aeroporto como noutro lado qualquer onde existam pessoas. Chegadas e partidas. E aquele olhar sofrido do jovem que parece descobrir aos poucos que algo chegou ao fim, vagueando por instantes atrás dum possível sonho. Cat Power como banda-sonora, no único momento do filme com música diegética (desculpem o palavrão) que tem tanto de forçado quanto belo.
Filme duma banalidade desarmante que facilmente nos faz esquecer as barreiras entre ficção e documentário.

indie lx (5)

DES HOMMES, de Khristine Gillard

De um lado, homens construindo casas. E que, embora se movendo, não conseguimos ouvir. Do outro, mulheres fechadas em casas. E que, paradas, se deixam ouvir. Um belo filme de intimidades partilhadas, com Gillard, inteligentemente, a dar espaço ao acto de escutar.

20100425

indie lx (4)

OH! LISBOA MEU LAR, de João Botelho

O poeta ainda rende. [bocejo]

indie lx (3)

METAL AND MELANCHOLY, by Heddy Honigmann

Um país a cair aos bocados. Pessoas que resistem a baixar os braços. Pedaços de metal esburacados, que um dia foram carros, a servir de bóia de salvação para mais uns trocados ao fim do dia. Através dos vidros sujos e quebrados dessess táxis improvisados de Lima, no Peru, Honigmann oferece-nos um dos mais ternos e atentos olhares à crise de um país.

20100423

indie lx (2)

VIDEOCRACY, Erik Gandini

Quem tenha andado minimamente atento à Itália versão Berlusconi dos últimos anos, não terá grandes dificuldade em acreditar na visão que este filme nos oferece dessa mesma Itália. Ainda assim, e se o acto de acreditar não apresenta dificuldades de maior, o acto de imaginar aquilo que realmente por lá vem acontecendo já parece ser tarefa mais árdua. Usando a televisão como exemplo, Gandini mostra na verdade um mal bem mais vasto e profundo da sociedade italiana. Por comparação, estamos ainda a grande distância de bater no fundo do poço. Mas, como todos bem sabem, numa queda a velocidade não é constante, com os corpos ganhando cada vez maior velocidade ao longo dessa mesma queda.

indie lx (1)

D'EST, de Chantal Akerman

No catálogo do festival, a sinopse descreve este filme como sendo "um documentário na fronteira da ficção (...) que divaga por, e fixa, sons e imagens...". A sessão, no entanto, começa em absoluto silêncio. À pergunta feita aos assistente de sala "então o som?", a resposta surge imediata "o filme é mudo". Pois, pois. Dava jeito. Infelizmente mudo é coisa que o filme não é. Cá para mim é o regresso do Indie aos maus velhos tempos das projecções feitas com enquadramentos errados, sons saltitantes entre colunas da direita e esquerda, e realizadores a anunciarem, antes das sessões terem ínicio que, infelizmente, e por culpa do projector de sala, as cores que se iriam ver não eram sequer parecidas com as cores reais do filme. Com uma edição imaculada, em qualidade dos filmes e projecção dos mesmos, no ano passado, acreditava que os anos de desacerto já tinham ficado para trás. Parece que não...

20090502

indie lx (13)


WENDY AND LUCY, de Kelly Reichardt

Não que seja mau. Mas confesso ter alguma dificuldade em perceber o hype em redor de Kelly Richardt depois de ter visto este filme.
2,5/5

indie lx (12)


THE HAPPIEST GIRL IN THE WORLD, de Radu Jude

Que o cinema romeno tem estado em alta nos últimos anos já não é novidade para ninguém. Com os seus retratos socias realistas, quase documentários da sociedade romena, acompanhando um dia de uma qualquer personagem, os filmes romenos vão conquistando prémios em vários festivais um pouco por todo o mundo. Mas claro que nem tudo o que nos chega daquele país é automaticamente fabuloso. E este filme de Radu Jude é apenas uma comédia despretensiosa que daria uma excelente curta-metragem, mas que no formato longa vai perdendo algum do seu fulgor com o passar do tempo. Ligeiro e sem pretensões a mais que isso, The Happiest Girl In The World não é uma obra-prima, mas nem todos os filmes precisam de o ser.
2,5/5

indie lx (11)


BALLAST, de Lance Hammer

Jorge Mourinha, no Público, escrevia assim sobre esta estreia de Lance Hammer "É o melhor filme da competição do IndieLisboa 2009, é uma das mais espantosas primeiras obras que vemos em muito tempo." Verdade? Talvez não. Mas não deixa de ser um bom filme, que nos deixa com a esperança de que o cinema independente americano ainda não morreu. Só tem andado arredado das nossas salas de cinema. E isso talvez ajude a explicar o cada vez maior desinteresse em visitar as salas de cinema, repletas de filmes sem interesse. Todos iguais. Cópias. Este, sem inventar nada novo, é único. Nas suas fragilidades. Na sua contenção. Na forma delicada como nos transporta para dentro da vida daquelas magníficas personagens, como nos mostra as suas batalhas e as abandona no fim para que elas sigam o seu caminho. Com um ligeiro e amargo sorriso de cumplicidade. 
3,5/5

p.s.: pelo menos para o júri do Indie, Jorge Mourinha estava certo, já que Ballast acaba de ser anunciado como o vencedor do Grande Prémio do festival.

indie lx (10)


LOUISE-MICHEL, de Benoít Deléphine e Gustave Kervern

Nos intervalos dum aborrecido absurdo que pontua todo o filme, ainda dá para ir deixando escapar umas gargalhadas. Mas tanta parvoíce, mesmo quando consciente, não torna a obra interessante, mas talvez ajude a fazer o espectador sentir-se parvo. O filme parece ter ganho uns prémios em Sundance. Rídiculo.
1/5