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20100426

indie lx (5)

DES HOMMES, de Khristine Gillard

De um lado, homens construindo casas. E que, embora se movendo, não conseguimos ouvir. Do outro, mulheres fechadas em casas. E que, paradas, se deixam ouvir. Um belo filme de intimidades partilhadas, com Gillard, inteligentemente, a dar espaço ao acto de escutar.

20100215

forest fire - survival


Anda uma pessoa a calcorrear os cantos mais recônditos das internets em busca de novas sonoridades que entusiasmem, que façam acreditar em dias melhores, que prolonguem o sonho interrompido pelo (sempre demasiado) madrugador despertador diário, que faça e aconteça e que e que... qual dependente de dose cada vez mais forte e vem depois a descobrir, nem sabe muito bem como, que andava por aí um desses discos sem que ninguém o tivesse avisado de tal. E isto durante mais de um ano. O disco chama-se Survival, duma banda de nome Forest Fire, e já tem existência desde o longínquo ano de 2008. Mas enfim, antes agora que nunca. E agora, nunca mais o largo.

20090623

woodpigeon

Durante meses escondidos nos confins do meu computador e resgatados numa noite com banda-sonora a cargo do acaso, eis os Woodpigeon - versão sem santidades, anjos e afins de Sufjan Stevens, com Elliott Smith, por vezes, a pairar por perto.
Com dois discos editados, não consigo decidir qual deles o melhor. Um, relançado em Setembro do ano passado, mas originalmente lançado em 2006, dá pelo nome de Songbook. O outro, já deste ano, foi baptizado com o nome mais pomposo de Treasury Library Canada. O melhor mesmo é juntar ambos e ouvi-los como se fossem um só.



Woodpigeon - Piano Pieces For Adult Beginners
Woodpigeon - Home As A Romanticized Concept Where Everyone Loves You Always And Forever
Woodpigeon - Lay All Your Love On Me (ABBA Cover)

20090519

the misophone - be glad you are only human


Esteve perdido bastante tempo nos calabouços onde guardo os meus discos. Ganhou pó. Teias de aranha agarravam-se deseperadamente a ele quais mãos de uma criança com medo que a mãe não volte mais quando, ao descobri-lo por um acaso, o resgatei para audição mais atenta.
As gravações deverão ter decorrido num qualquer parque de diversões onde índios e cowboys são imortalizados. Escondido num deserto onde poucos chegam. E menos conseguem partir. Com bares onde copos de ice tea são vendidos às crianças como se de whisky se tratasse. Jogos de poker sem baralho completo. Com discos de Matt Elliott, Tom Waits ou Micah P. Hinson a tocar em fundo na rotação errada.
No tempo em que esteve perdido, novo disco foi gravado. Mas é por este, de 2008, que estou neste momento apaixonado. 

20090330

that ghost - young fridays

Cada vez menos são necessárias editoras discográficas para que um artista se consiga fazer ouvir. Mas, ultimamente, já nem a impossibilidade monetária de passar por um estúdio serve de desculpa para não se gravar um disco em/com boas condições. Basta a criatividade, a curiosidade e a vontade. Tudo o mais está ao alcance de qualquer um. É esse o caso do jovem Ryan Scmale que, aos 18 anos, já leva quatro discos editados com o seu projecto That Ghost. Importante é não confundir este lado caseiro com um som descuidado ou simplista. Já não se fala aqui do DIY em registo low-fi praticado por quem optava por tal solução mais por incapacidade de dominar os instrumentos ao seu dispor, do que por uma questão estética.

O mais recente Young Fridays, do ano passado, é dos discos mais frescos e viciantes que se pode ouvir por estes dias e traz consigo canções como Top Shelf, Bedside ou Friends In Quotations que mereceriam fazer parte das listas de melhores músicas de qualquer ano. As influências vão de Jesus and Mary Chain a You La Tengo passando pelos Galaxie 500. Um disco para colocar ao lado dos discos de Atlas Sound ou Lotus Plaza e para ouvir em modo repeat.

8.8/10

20090323

coeur de pirate

Assinando com o nome Coeur de Pirate, Béatrice Martin, de apenas 18 anos, oferece-nos no seu disco de estreia uma dúzia de melodiosas pérolas pop de influência francófona. Tudo em pouco mais de meia-hora. O tempo necessário para uma paixão à primeira vista. A partir de agora, Carla Brunni já se pode dedicar por inteiro a representar o papel de primeira-dama. Está encontrada uma herdeira para os seus dotes musicais.

20090201

sin fang bous - clangour



Lançado na recta final do ano passado, “Clangour” foi um dos grandes discos do ano passado, mas poucos deram por isso. Com 26 anos, o islandês Sindri Mar Sigfusson fez uma pausa nos seus Seabear e decidiu aventurar-se sozinho, sob o nome Sin Fang Bous, assinando um mágnifico monumento pop, temperado com as melodias de uns Animal Collective (referência incontornável em grande parte da boa música que se faz por estes dias), os ritmos dos extintos Beta Band, a inocência dos conterrâneos Mùm ou o lado mais solarengo dos Yo La Tengo. Mas o resultado final ultrapassa qualquer referência que se possa aqui assinalar. Em 2008 foi quase ignorado. Que 2009 permita a sua merecida descoberta.

8.7/10